O dia começou atrasado. Check-out na São João e hora marcada na Sala São Paulo.
sala são paulo, na estação júlio prestes – cristiano stockler das neves e nelson dupré.

parque da juventude – aflalo e gasperini & rosa kliass.
chamou a atenção: crianças brincavam de escorrega nas pistas de skate molhadas pela chuva, e ainda declaram felizes que “até parecia piscina”. Mais uma vez pessoas se apropriando do lugar, dando uso até não-planejado, adotando o espaço. Na parte das edificações onde funcionava o presídio propriamente dito, colegas esticavam os braços para dentro das pequenas janelas na tentativa de capturar o lugar onde tantos ficaram trancados. Muita coisa por ali está diferente, mas nessas horas, meu estômago não me permitia mais prestar tanta atenção.-
pesquisa posterior
Durante o período de desativação do Carandiru, o Governo do Estado, juntamente com o IAB/SP, promoveu um concurso público para escolha do projeto arquitetônico para construção de um parque cultural no local. Essa medida foi considerada um ato simbólico no sentido de livrar o local do estigma de violência. O vencedor foi o grupo do escritório do arquiteto Gian Carlo Gasperini, em conjunto com a arquiteta-paisagista Rosa Grena Kliass, responsável pelo desenvolvimento da proposta paisagística para todo o local. O edital já previa a manutenção parcial de construções, como uma forma de preservar a memória do lugar, de certa forma já resguardada no filme de Hector Babenco. Contudo, no longo e desgastante processo do concurso à contratação, decidiu-se que grande parte da área prisional não seria desativada. Quando o governo estadual finalmente formalizou a contratação do projeto, foi necessário alterar o projeto, devido à redução da área do parque para 240 mil metros quadrados.
O projeto foi dividido em três fases, implantadas de leste a oeste. Segundo Rosa Kliass, “é importante lembrar que os projetos de arquitetura e paisagismo tiveram uma interação muito grande”. As duas primeiras etapas de obras consistiram basicamente de paisagismo, com alguns complementos de edificações. A terceira etapa foi principalmente intervenções nos edifícios da antiga Casa de Detenção, sendo que, nessa fase, a arquitetura paisagística apresenta um papel secundário.
Para trafegar por esses locais de recreação foi implantada uma alameda central, pavimentada com piso de solo-cimento – que, diferentemente do asfalto, tem aparência mais natural e ajuda na absorção do calor, contribuindo para a formação de uma ilha de temperaturas mais amenas – e arborizada com guapuruvus, paus-brasis e jequitibás-rosas , interligando todo o complexo. Os demais passeios receberam cobertura com pedriscos.
A segunda parte executada, o parque Central, colocou à disposição da cidade uma área de 90 mil metros quadrados, planejada como espaço de retiro, cuja topografia redesenhada oferece ainda diferentes perspectivas de contemplação do verde e do skyline da cidade. A formação de um pequeno morro rompeu a planicidade da área, situada na várzea do córrego Carajás, afluente do rio Tietê. Ele foi concebido como uma forma de absorver resíduos da demolição dos prédios da Casa de Detenção. Entretanto, como o entulho teve outro uso, foi necessário adquirir terra para executar esse morro.
“Nossa proposta era criar um oásis urbano, onde os visitantes pudessem sentar à sombra das árvores para ler um livro ou descansar”, diz o arquiteto José Luiz Brenna, co-autor do paisagismo. Essa intenção justifica a ausência de infra-estrutura para atividades físicas no parque Central. Os únicos equipamentos existentes ali são os bancos de concreto com encosto de madeira e os cestos de lixo em aço inoxidável.
Duas porções verdes preexistentes na área foram tratadas. A primeira delas é área de preservação permanente, de 16 mil
A terceira etapa do programa, iniciada em setembro de 2005, envolve a reciclagem dos pavilhões 4 e 7 (que faziam parte do antigo conjunto prisional), transformando-os em locais para atividades educacionais. Idênticos, os dois edifícios possuem cerca de 6 mil metros quadrados, distribuídos em térreo e mais quatro andares. Um deles abrigará, no primeiro andar, o Centro de Inclusão Digital / Programa Acessa São Paulo, que coloca à disposição da população computadores com acesso gratuito à Internet e divulgação multimídia. Nos demais andares funcionarão salas de aulas de uma escola técnica do Centro Paula Souza. No outro funcionarão o Instituto de Promoção da Saúde (centro de integração, conscientização e divulgação de terapias com base na medicina holística, voltado para a formação de profissionais e workshops com adolescentes) e o Centro de Cultura, onde haverá atividades de dança, música, artes cênicas e restauro.
Referências
Rosa Grena Kliass: Primeira etapa do parque da Juventude, São Paulo-SP. SERAPIÃO, Fernando. Publicada originalmente em PROJETODESIGN. Edição 291 Maio de 2004. Disponível em: http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/rosa-grena-kliass-primeira-etapa-31-05-2004.html
Rosa Grena Kliass Arquitetura Paisagística: Segunda etapa do Parque da Juventude, São Paulo-SP. CORBIOLI, Nanci. Publicada originalmente em PROJETO DESIGN. Edição 299 Janeiro de 2005. Disponível em: http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/rosa-grena-kliass-arquitetura-paisagistica-segunda-etapa-20-01-2005.html
Aflalo & Gasperini Arquitetos: Parque da Juventude. FINESTRA. Edição 46 Setembro de 2006. Disponível em: http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/aflalo-amp-gasperini-arquitetos-parque-da-17-10-2006.html
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Fomos ao novo hotel na Consolação fazer check-in, almoçamos por ali na Paulista e corremos para o Teatro Oficina.
teatro oficina – lina bo e edson elito.
Teatro Oficina me era familiar de aulas por aí também. Nesse eu já havia decidido: um dia eu vou lá, e não demora. Não deu outra. Pensar em seis horas seguidas de peça, depois de andar tanto, não parecia uma ideia muito agradável. Contudo, foi uma das programações mais animadas. De todos os lugares visitados, esse é o mais impossível de se “conhecer” através de fotos. É melhor nem tentar. Só entrando lá, sentando ao lado do Zé Celso (mesmo sem saber que era ele a princípio), e dançando junto com os atores pra saber, pra sentir. A apresentação e a arquitetura são uma coisa só. O espetáculo não acontece só na rua-palco. De repente tem algum ator voando por cima de você. Pulando em você. Te mordendo. De repente, já escureceu, pelas altas janelas é possível ver a lua, o céu, a árvore, um ator na árvore. Todo mundo caiu no samba e se divertiu. Obrigada Zé Celso, obrigada Lina.
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ei :)