sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

domingo 29/11


O dia começou atrasado. Check-out na São João e hora marcada na Sala São Paulo.



sala são paulo, na estação júlio prestes – cristiano stockler das neves e nelson dupré.

Quem esperou afinal fomos nós. Mas valeu a pena. A Estação Júlio Prestes definitivamente é um lugar que chama a atenção. Me pergunto como eu já tinha estado ali pertinho, na Luz, e não conhecia ainda esse lugar. Nesse edifício, no estilo Luís XVI, funcionava a antiga estação de trens da Estrada de Ferro Sorocabana – principal fluxo de escoamento do café no início do século XX –, e hoje é a sede da OSESP – Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Muita coisa pode ser dita sobre essa obra, mas me contento em dizer que é incrível. É o casamento perfeito entre o velho e o novo, entre o mais alto conhecimento tecnológico e um edifício que representa parte da história do país (ciclo do café). O restauro e adaptação para sala de concertos, realizados no final dos anos 90, é de deixar qualquer um boquiaberto. A moça da visita orientada que o diga, aposto como ela já viu a cara de encanto de muita gente por lá. A gente vai entrando e olhando cada coisa em mármore e granito, o piso, as paredes, o teto. AH, o teto da Sala! Quando se olha pra ele, não se vê mais nada. É bom guardar pro final então. A acústica do local parece coisa de filme de ficção. Estando lá dentro, é fácil se esquecer que estamos bem ao lado de uma barulhenta estação de trem. É tudo perfeito. Cada textura, cada detalhe, cada dimensão. O tal teto sobe e desce de acordo com o tipo de música que será executada ali, atingindo um pé-direito máximo de 24 metros. O piano se esconde embaixo do palco. As poltronas possuem cor e material que, fechadas, imitam a vibração do corpo humano, para o som reverberar corretamente estando a sala cheia ou vazia. A impressão que se tem é que TUDO foi pensado, planejado. Dessa visita, a lição que fica é: projeto, em cada detalhe. É necessário prever, estudar, se dedicar, pesquisar tecnologias. E se houver uma boa verba pra bancar a obra, bom também!



parque da juventude – aflalo e gasperini & rosa kliass.

Em nossas rodadas pela capital paulista, visitamos vários lugares que passaram por revitalização, reformas, reutilizações, re-qualquer-coisa. Enfim, novos usos dados para diferentes locais. Como exemplos podemos citar a Sala São Paulo, a Pinacoteca do Estado, o SESC Pompéia, o Parque Modernista, etc. Porém, de todos o que mais me encantou foi o Parque da Juventude, instalado onde funcionava o presídio Carandiru, desativado em 2002. Lindo como o que era um centro de detenção se transformou em um local tão delícia. O paisagismo no parque central, bem trabalhado por Kliass, nos convida a passear pela mata nativa. Há ainda outras duas áreas: a institucional e esportiva. Enquanto passávamos por essa última, já com muita fome, uma cena nos chamou a atenção: crianças brincavam de escorrega nas pistas de skate molhadas pela chuva, e ainda declaram felizes que “até parecia piscina”. Mais uma vez pessoas se apropriando do lugar, dando uso até não-planejado, adotando o espaço. Na parte das edificações onde funcionava o presídio propriamente dito, colegas esticavam os braços para dentro das pequenas janelas na tentativa de capturar o lugar onde tantos ficaram trancados. Muita coisa por ali está diferente, mas nessas horas, meu estômago não me permitia mais prestar tanta atenção.


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pesquisa posterior


Durante o período de
desativação do Carandiru, o Governo do Estado, juntamente com o IAB/SP, promoveu um concurso público para escolha do projeto arquitetônico para construção de um parque cultural no local. Essa medida foi considerada um ato simbólico no sentido de livrar o local do estigma de violência. O vencedor foi o grupo do escritório do arquiteto Gian Carlo Gasperini, em conjunto com a arquiteta-paisagista Rosa Grena Kliass, responsável pelo desenvolvimento da proposta paisagística para todo o local. O edital já previa a manutenção parcial de construções, como uma forma de preservar a memória do lugar, de certa forma já resguardada no filme de Hector Babenco. Contudo, no longo e desgastante processo do concurso à contratação, decidiu-se que grande parte da área prisional não seria desativada. Quando o governo estadual finalmente formalizou a contratação do projeto, foi necessário alterar o projeto, devido à redução da área do parque para 240 mil metros quadrados.


O projeto foi dividido em três fases, implantadas de leste a oeste. Segundo Rosa Kliass, “é importante lembrar que os projetos de arquitetura e paisagismo tiveram uma interação muito grande”. As duas primeiras etapas de obras consistiram basicamente de paisagismo, com alguns complementos de edificações. A terceira etapa foi principalmente intervenções nos edifícios da antiga Casa de Detenção, sendo que, nessa fase, a arquitetura paisagística apresenta um papel secundário.

A primeira fase, o parque Esportivo, ocupa 35 mil metros quadrados. Ele está situado no extremo leste da gleba, onde antes ficavam o Hospital Penitenciário e um bota-fora. Hoje o lugar conta com dez quadras poliesportivas, pista de skate, área para vestiário, sanitários e lanchonete. Painéis metálicos, chamados por Kliass de biombos, separam as quadras da alameda, formando interessante desenho geométrico.
Para trafegar por esses locais de recreação foi implantada uma alameda central, pavimentada com piso de solo-cimento – que, diferentemente do asfalto, tem aparência mais natural e ajuda na absorção do calor, contribuindo para a formação de uma ilha de temperaturas mais amenas – e arborizada com guapuruvus, paus-brasis e jequitibás-rosas , interligando todo o complexo. Os demais passeios receberam cobertura com pedriscos.

A segunda parte executada, o parque Central, colocou à disposição da cidade uma área de 90 mil metros quadrados, planejada como espaço de retiro, cuja topografia redesenhada oferece ainda diferentes perspectivas de contemplação do verde e do skyline da cidade. A formação de um pequeno morro rompeu a planicidade da área, situada na várzea do córrego Carajás, afluente do rio Tietê. Ele foi concebido como uma forma de absorver resíduos da demolição dos prédios da Casa de Detenção. Entretanto, como o entulho teve outro uso, foi necessário adquirir terra para executar esse morro.
Nossa proposta era criar um oásis urbano, onde os visitantes pudessem sentar à sombra das árvores para ler um livro ou descansar, diz o arquiteto José Luiz Brenna, co-autor do paisagismo. Essa intenção justifica a ausência de infra-estrutura para atividades físicas no parque Central. Os únicos equipamentos existentes ali são os bancos de concreto com encosto de madeira e os cestos de lixo em aço inoxidável.

Duas porções verdes preexistentes na área foram tratadas. A primeira delas é á
rea de preservação permanente, de 16 mil metros quadrados, formada basicamente por eucalipto de reflorestamento e espécies da mata atlântica. Esse agrupamento é cortado por trilha para caminhadas. A menor está no miolo da gleba. Ali existe a estrutura de um presídio, cujas obras, em estágio inicial, foram abandonadas em 1993, após o massacre de 111 presos da Casa de Detenção. Preservada como referencial histórico, a estrutura está envolvida por trepadeira e um conjunto de tipuanas que surgiu naturalmente no local, criando uma zona sombreada e com aspecto de ruína. Para tirar partido dessas condições, possibilitando a contemplação, o espaço ganhou passarela de madeira e o reforço de trepadeiras e plantio de forrações. Outro acréscimo do paisagismo são três escadas com estrutura de aço corten e degraus vazados de madeira. Elas dão acesso ao passadiço de 300 metros de extensão, a sete metros de altura, de onde se tem interessantes pontos de vista do conjunto. Essa muralha de quase um metro de largura foi construída para servir como posto de vigilância do edifício prisional cujas obras foram abandonadas.

A terceira etapa do programa, iniciada em setembro de 2005, envolve a reciclagem dos pavilhões 4 e 7 (que faziam parte do antigo conjunto prisional), transformando-os em locais para atividades educacionais. Idênticos, os dois edifícios possuem cerca de 6 mil metros quadrados, distribuídos em térreo e mais quatro andares. Um deles abrigará, no primeiro andar, o Centro de Inclusão Digital / Programa Acessa São Paulo, que coloca à disposição da população computadores com acesso gratuito à Internet e divulgação multimídia. Nos demais andares funcionarão salas de aulas de uma escola técnica do Centro Paula Souza. No outro funcionarão o Instituto de Promoção da Saúde (centro de integração, conscientização e divulgação de terapias com base na medicina holística, voltado para a formação de profissionais e workshops com adolescentes) e o Centro de Cultura, onde haverá atividades de dança, música, artes cênicas e restauro.

Referências

Rosa Grena Kliass: Primeira etapa do parque da Juventude, São Paulo-SP. SERAPIÃO, Fernando. Publicada originalmente em PROJETODESIGN. Edição 291 Maio de 2004. Disponível em: http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/rosa-grena-kliass-primeira-etapa-31-05-2004.html

Rosa Grena Kliass Arquitetura Paisagística: Segunda etapa do Parque da Juventude, São Paulo-SP. CORBIOLI, Nanci. Publicada originalmente em PROJETO DESIGN. Edição 299 Janeiro de 2005. Disponível em: http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/rosa-grena-kliass-arquitetura-paisagistica-segunda-etapa-20-01-2005.html

Aflalo & Gasperini Arquitetos: Parque da Juventude. FINESTRA. Edição 46 Setembro de 2006. Disponível em: http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/aflalo-amp-gasperini-arquitetos-parque-da-17-10-2006.html


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Fomos ao novo hotel na Consolação fazer check-in, almoçamos por ali na Paulista e corremos para o Teatro Oficina.



teatro oficina – lina bo e edson elito.

Teatro Oficina me era familiar de aulas por aí também. Nesse eu já havia decidido: um dia eu vou lá, e não demora. Não deu outra. Pensar em seis horas seguidas de peça, depois de andar tanto, não parecia uma ideia muito agradável. Contudo, foi uma das programações mais animadas. De todos os lugares visitados, esse é o mais impossível de se “conhecer” através de fotos. É melhor nem tentar. Só entrando lá, sentando ao lado do Zé Celso (mesmo sem saber que era ele a princípio), e dançando junto com os atores pra saber, pra sentir. A apresentação e a arquitetura são uma coisa só. O espetáculo não acontece só na rua-palco. De repente tem algum ator voando por cima de você. Pulando em você. Te mordendo. De repente, já escureceu, pelas altas janelas é possível ver a lua, o céu, a árvore, um ator na árvore. Todo mundo caiu no samba e se divertiu. Obrigada Zé Celso, obrigada Lina.

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